Conta a história pitoresca do País que o ex-governador de Minas Gerais Benedito Valadares figura que enriqueceu o anedotário político nacional, na inauguração de uma instância hidromineral, em plena vigência do Estado Novo, lendo, no palanque, o discurso que lhe haviam preparado, lá pelas tantas, disse: “... nossa instância, maior do Brasil, cuíca do mundo...”. Os ouvintes, atentos, não entenderam. Depois de terminada a solenidade, um pequeno grupo de auxiliares, tendo acesso ao documento, leu o que estava escrito: “(....) quiçá do mundo...”. O governador havia trocado a palavra, sinônimo de talvez, pelo instrumento musical. Moral da história: ler o que os outros escreveram, sobretudo em público, embora seja normal na direção das empresas e no meio político (a tal ponto que o primeiro-ministro inglês Winston Churchill — excelente escritor, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1953 —, para criticar seu adversário trabalhista Clement Atlee, que também foi primeiro-ministro, dizia com ironia: “É um político tão medíocre que escreve seus próprios discursos”), é uma tarefa que sempre exige preparação para evitar vexames semelhantes.